A arte de dizer oi

Com passos decididos, o rapaz de altura mediana adentrou o bar.
Óculos escuros escondendo olhos vazios, enquanto uma jaqueta de couro trajava um corpo magro. Uma aparência que parecia ter sido cuspida para fora das páginas de um livro de vampiro a máscara. A pele branca, os cabelos compridos indo até metade das costas, e um pingente do martelo de Thor pendurado no pescoço. Uma aparência que contrastava algo que, ao ser arremessado para fora das páginas do primeiro livro, levou mais algumas páginas de um segundo de cultura medieval por diversão. E por fim, uma cara de mau, a qual é atributo de qualquer ser humano comum.
Encostou-se no bar e ao seu lado uma mulher linda, que não precisa ser descrita, tomava uma bebida tranquilamente. Ele diz oi, e os olhos dela brilham, mesmo que ele não soubesse disso. Oi.
– Qual é seu nome? – Diz o rapaz misterioso, se apoiando no balcão.
– (Adicione um nome feminino qualquer aqui), e o seu?
– Xerife Blindwood.
– Aquele que aparece na noite e desaparece antes mesmo que os maus feitores tenham chance de dar um último suspiro?
– assim o dizem.

PORRA!!! PARA TUDO!!

Notem que essa é uma descrição totalmente destorcida e nada nela é real, Tirando a parte que eu tenho cabelo comprido, mas é só. E sabe por que não é assim? Porque a vida não é filme, senhores, não é filme. A realidade é mais dura, e a gente não tem informações secretas sobre os outros, nem títulos a serem alardeados por aí. Bom, nem sempre.
Estava conversando com um amigo, tempos atrás, sobre como conhecemos pessoas. Chegamos a uma conclusão que quase a totalidade de nossas amizades foi feita por sermos apresentados por outro amigo em comum, nos encontramos na internet em algum fórum onde compartilhamos opiniões semelhantes, enfim, internet em geral. Também conhecemos nossos amigos às vezes em algum lugar onde fazíamos a mesma coisa, normalmente nos ferrando muito. O tipo de lugar onde a camaradagem surge para que a sobrevivência torne-se possível. Ok. Exagerei, mas sinto que depois que fiz matemática discreta, meus laços de amizade se estreitaram com um amigo meu de tanto estudarmos juntos, compartilhando as dificuldades encontradas.
Não sinto a necessidade de ficar conhecendo gente nova a cada semana, até porque amizade é uma coisa simples, no final das contas. Fazemos amigos porque eles têm coisas em comum conosco, e se for para que fiquemos amigos, assim será.
Outro ponto em questão que discutíamos, foi a facilidade de personagens de filmes entrarem em bares e conversarem com mulheres que nunca estariam em um bar daqueles, e ainda a conversa parecer normal. A meu ver, qualquer tipo de aproximação de uma pessoa onde não há um motivo bem definido, por exemplo, pedir as horas. Prolongar uma conversa ao pedir as horas para alguém, pode parecer patético mais tarde. Mas continuemos.
Imagine que você se a alguém em um lugar que você esteja. Bar, casa de show, restaurante, churrascaria, festa, tanto faz. Você diz “oi” e a pessoa diz “oi” de volta.
Aí começam os problemas. E agora? O que você vai falar? O que pode ser dito para que essa conversa não seja idiota? Sempre pensei nisso . Se você foi falar com aquela pessoa, algum interesse você tem. Mas ao menos que esse objetivo seja bem definido, essa conversa tende a ser um desperdício.
Não sou contra que pessoas que não me conhecem ou não tem algo em específico para falar comigo venham até mim, mas é que a aproximação sempre parece algo estranho. Sinto um desconforto porque me coloco na situação da pessoa, mesmo que ela esteja acostumada a fazer isso.
Ou seja, nerds: Esqueçam. Não há um algoritmo para cortejar uma dama desconhecida em um recinto qualquer. Você dirá oi, perguntará o nome, e sua próxima pergunta/comentário inevitavelmente será idiota. A não ser que essa dama em questão tenha gostado de sua aparência e queira conversar com você. Que infelizmente acho que não seja o caso. Mas novamente, continuemos.
Citei uma mulher desconhecida no bar, porque é um bom exemplo, e me faz rir porque alguns amigos já me perguntaram como fazer isso. Porra, como é que eu vou saber? Enfim, não me perguntem mais! Eu sei menos que vocês. A não ser que a garota esteja usando uma camiseta, escrito: ‘I am here because my server is off’, não sugiro aproximação a não ser que você seja bonito pra caralho. Que infelizmente tenho que repetir, não é o caso.
Abordar pessoas desconhecidas do mesmo sexo continua sendo estranho, mas um fator é descontado da lista de problemas. Se alguém aborda outra pessoa de sexo diferente, deve ter algo no inconsciente que força o interpelado a acreditar que existe um interesse sexual, o que pode prejudicar muito quem puxou a conversa. Se sua aparência não foi aceita, seu comentário que já será idiota, pode ser piorado ainda mais por um olhar estranho ou uma resposta brusca. O que não aconteceria normalmente em pessoas de mesmo sexo, apenas restando o comentário idiota para ser avaliado.
Tenho novamente que ressaltar que me refiro a abordagens á pessoas desconhecidas sem um motivo bem definido. E acho que escrevo esse texto mais como um apanhado de conclusões meio óbvias que estão por aí, para quem quiser chegar até elas.
Agora, minha mensagem é: Sempre que for falar com algum desconhecido, tenha seu objetivo em mente. Se você quer cortejar uma dama em algum lugar, tenha isso em mente, e não fraqueje. Se quiser fazer uma nova amizade com alguém que parece ser legal, aborde essa pessoa e fale das coisas que você gosta e veja se os gostos batem. E se o objetivo for conseguir informações secretas sobre alguém, vá lá e manipule o sujeito direito. E é só. Defina o que deseja, seja lá qual for, e faça suas falas de apresentação, de introdução social não serem tão idiotas, mascarando-as com confiança.
Forte abraço, e lembrem-se que eu não falo com estranhos. Sou um cara teórico.

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~ por lucasradaelli em 3 de agosto de 2010.

2 Respostas to “A arte de dizer oi”

  1. Você escreve muito bem e parece tentar entender o ser humano a partir de suas experiências e observações.Mesmo sendo complexo,o pensamento humano é algo bastante interessante de estudar.Parabéns pelo blog!

  2. Gostei, parabéns, achei bem interessante o texto, e concordo com o que você escreveu, é sempre muito estranho quando abordamos pessoas desconhecidas mesmo, eu sempre tive sorte em amizades feitas assim, não sei porque. E obrigada pela ótima dica em !

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