[A Saga do Cão Guia] – Capítulo 1

Embarquei ontem, dia 6 de março de 2011, no avião que me levaria até os Estados Unidos para, finalmente, eu ter o tão sonhado cão guia.

A parte que eu menos me preocupava era o avião. Os aeroportos são muito bem esquematizados e tratam com facilidade as pessoas com algum tipo de deficiência. Sempre há um funcionário para te levar para cá e para lá, o que ajuda muito no meio de todo aquele caos.

Saí de Curitiba, fiz uma conexão em São Paulo, e voei durante 10 horas até chegar no aeroporto de New Arc. Acho que foram as 10 horas mais demoradas da minha vida. A poltrona que eu estava era pior que aquelas de ônibus convencionais que pegamos por aí para viajar; Pelo menos as de ônibus deitam um pouco mais que aquela. Logo na chegada, um monte de gente da imigração e atendentes do avião falando inglês, você é bombardeado com um idioma que você não está tão acostumado assim e tem que se virar. A primeira pergunta que me fizeram eu logo pensei ‘To começando mal pra caramba. Olha o absurdo que eu entendi!!!! – A mulher estava perguntando se eu preferia andar ou ir na cadeira de rodas. Eu pedi pra ela repetir e uma aeromoça repetiu para mim em português. E o pior: eu tinha entendido corretamente, estavam me perguntando realmente isso. E claro, fui andando.

Passei pela imigração, peguei minha mala (a qual demorou um pouco para ser achada), e encontrei o motorista que me levaria até a escola. Mais uma hora e meia de carro, dessa vez em um assento realmente bom onde fui dormindo, e chego na escola. Deveria estar zero graus no lado de fora, mas uma vez dentro das portas, removi todas as minhas jaquetas porque estava bem aquecido o ambiente.

Depois de terem mostrado cada coisa do meu quarto – e que quarto, diga-se de passagem. Tenho tudo que preciso e mais um pouco aqui para ter uma estadia confortável pelos próximos 25 dias. Frigobar (prevejo um estoque de coca-cola), uma cama de casal, acesso a internet para o meu notebook, banheiro, tv, som, ar condicionado, banheira, e até um botão de emergência caso eu tenha que pedir ajuda. Tipo um ‘mamãe vem aqui rápido que to morrendo.’.

Depois de eu tirar um breve cochilo, entrei um pouco na internet para atualizar os amigos de que eu ainda estava vivo para a infelicidade de alguns, e felicidade de outros. Não tive muito tempo para isso e já tivemos o almoço.

As refeições aqui são bem interessantes. Todos nos reunimos em mesas na sala de jantar, e o clima é bem descontraído e agradável. Como aqui é os EUA, eu estava esperando para comer um baaaaaaaacon, mas não foi a vez dele ainda 😛

Durante a tarde, me mostraram toda a construção. A estrutura deles aqui é muito boa. São 18 quartos que acomodam os estudantes e os instrutores, sala de jantar, pelo menos umas 4 salas de estar, cada uma com algo diferente, tipo sala de tv, sala de música, sala de jogos, desse tipo. Também existe uma sala onde temos máquinas de café e refrigerante, sala de exercícios com esteiras, bicicletas e máquinas de levantar peso que deve ter um nome (que eu não sei), uma sala de aula, lavanderia, sala de informática com vários computadores rodando jaws/window-eyes/nvda com algumas linhas braille, e provavelmente outras coisas que eu esqueci, é realmente muita coisa. Mas fica mais do que claro que qualquer pessoa que venha para cá, se sentirá muito a vontade e confortável.

Um fato a tarde me surpreendeu. A janta será sempre as 5 da tarde!!! Segundo um amigo meu ta com cara de hospital isso aqui, hahahaha. Voluntários estarão disponíveis amanhã para fazerem compras para nós, e com certeza vou pedir algumas coisas para deixar no meu quarto. Provavelmente eu vou ter fome a noite.

Iremos conhecer nossos cães na quarta-feira. Eu não sei o nome dele ainda, raça, cor, sexo, nada; Amanhã faremos uma espécie de teste para ver qual cão se adaptaria melhor a nós, e os instrutores vão debater sobre para chegar a melhor decisão.

Em relação ao inglês, acredito que tenho me saído muito bem. O que importa de verdade, as aulas/palestras, tenho entendido sem problemas, mesmo com vários termos técnicos e outros mais sendo apresentados. Mas já conversas casuais, por exemplo no jantar ou almoço, eu boio muito. O pessoal começa a falar muitas expressões e também rápido feito uma metralhadora, daí fica difícil. Mas acredito que pouco a pouco eu supero isso.

Minha primeira impressão da guiding Eyes foi totalmente positiva. O lugar é muito bem preparado para receber pessoas com deficiência visual, e as pessoas que trabalham aqui são todas profissionais no que fazem, e melhor ainda, gostam muito do que estão fazendo. As instrutoras da nossa turma são muito divertidas e sempre estão conversando com a gente.

A noite, Após uma aula que tivemos sobre os equipamentos básicos que usaremos com o cachorro, coleiras entre outros, vim para meu quarto tomar um banho e escrever esse texto e ficar um pouco na internet. O primeiro dia foi bem cansativo porque só consegui dormir de manhã um pouco, e a viagem tinha sido longa. Mas amanhã é outro dia, e estou bem animado esperando por ele.

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~ por lucasradaelli em 7 de março de 2011.

7 Respostas to “[A Saga do Cão Guia] – Capítulo 1”

  1. Wow, que foda, cara! 😀
    Podia ter me levado como tradutor, HEUAHEUAHEA! Mas bom, aproveita ae esse hotel!

  2. Que legal!! Adorei ler seus textos e ver como tão indo as coisas por aí! O inglês “metralhadora”, não te preocupa, é que nem a tv: só no início é diferente, depois você se acostuma. Não vai demorar nem uma semana e você vai estar craque!
    Muita sorte em tudo aí, beijo grande da mãe postiça! 🙂

  3. Primo, essa sua viagem é uma mistura facinante de sentimentos, emocoes e superacao ! Você esta de parabéns por ultrapassar/conquistar mais esse desafio. E lembre-se sempre de que nao há limites para quem sonha !!!

  4. Caramba, fox! Que foda! Esse primeiro capítulo da saga me fez ficar com muita v!ontade de ter um cão-guia 😀 hahaha!
    boa sorte aí cara

  5. Tou felizão por você, 😀

    Boa sorte, aí. Espero que amanhã descubram que você é o felizardo que vai sair daí com o tiranossauro rex recém clonado.

  6. Sucesso, e das 12 horas de folga diária pode dedicar umas duas para praticar o alemão.

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