[A Saga do Cão Guia] – Capítulo 5

Finalmente havia chegado o final de semana, o qual eu pensei erroniamente que poderia dormir um monte e aproveitar para ficar na internet, brincar com o Timmy, comer uns quitutes e dormir um monte. Oh, doce ilusão.

No sábado o cronograma foi o mesmo de quinta e sexta, tirando o fato que introdusimos algumas coisas novas na rotina, tal como escovar e pentear os cães todos os dias para mantê-los no seu melhor estado de higiene, alguns exercícios para focar a atenção deles em targets (alvos) específicos, tal como a porta do nosso quarto aqui na escola.

Enquanto eu esperava lá em White Plains pela minha vez de sair andar com o timmy, eu fiz um vídeo onde na parte que eu não estou filmando é possível ver ele melhor, e quando eu pego a câmera a entropia do sistema começa a aumentar a níveis impressionantes. O vídeo está
Aqui .

Como um dos meus amigos bem lembrou, eu não expliquei direito o que estava acontecendo no vídeo. Então para meus amigos cegos, o que basicamente ocorre é o Timmy no começo do vídeo, depois eu vou conversar um pouco com um colega de turma. Mostro (ou pelo menos tento), mostrar o cachorro dele, e depois ele pega o iPhone dele e usa um app que diz quão feia uma pessoa é, mas tiramos foto dos cachorros. Ele tira a foto do Timmy e dá 9.6, e eu começo a comemorar, porque pensei que era o contrário, quanto menor sua nota, mais feio você era. Daí ele me fala que 9.6 é o mais perto de 10, ou seja, o mais feio de todos, e daí eu retruco que ele tirou a foto do próprio cachorro ou até mesmo do chão 😛 – só umas coisas aleatórias mesmo.

No domingo consegui brincar com o Timmy. Fomos em uma sala fechada, e coloquei uma coleira nele, que era beeem longa. Ele conseguia alcançar todos os cantos da sala. O propósito dela era caso eu chamasse ele, e ele não viesse, eu teria como encontrá-lo através dela, o que não aconteceu, ele veio todas as vezes que chamei.

Eu jogava as bolinhas e brinquedos para ele por toda a sala, e ele saia correndo pegá-las. Infelizmente, ele só me trouxe duas vezes as bolinhas de volta, normalmente ele pegava o brinquedo, corria com ele, e quando eu chamava ele de volta, ele largava o brinquedo e vinha.

Não reclamo. Não estava exigindo nada dele naquela hora, porque era tempo dele se divertir bastante. Mas teria sido mais legal se ele trouxesse as bolinhas, mas acredito que com o tempo ele vai descobrir que eu gosto que ele faça isso, e vai começar. Afinal, toda vez que ele trazia a bolinha de volta eu dava comida, e como ele é mais do que esperto, vai começar a sacar.

O que foi super legal nesse tempo que tivemos juntos foi que ele teve tempo para ser um cachorro normal. Os cães guia tem muitos dos comportamentos caninos reprimidos, afim de que mantenham a atenção no trabalho. Por exemplo, na rua um cheiro interessante é uma coisa muito atrativa para um cachorro, ou ir atrás de um passarinho. E o que eu quero dizer com reprimir um instinto é que ele precisa achar mais importante te desviar da placa ou te levar até o meio-fio ao invés de correr atrás dessas coisas.

Para aqueles que tem cachorro, vocês sabem como é a sensação de quando eles estão brincando e você chama o nome deles, e eles vem correndo. Acredito que ele já gosta bastante de mim, porque eu batia palmas e chamava o nome dele, e ele largava tudo que estava fazendo (até mesmo as bolinhas), para vir correndo e sentar ao meu lado todo ofegante.

Como vocês podem ver no vídeo, todos os comandos que dei para ele, no caso pedir para sentar, tive que falar de duas a 3 vezes. É como eu falei, como ele está sem a harness, ele se distrai muito fácil, querendo cheirar outros cachorros, afinal, existem mais 11 como ele por lá, mas uma vez que insisto, ele obedece sempre.

No mais, continuamos nos acertando. Uma coisa engraçada dessa noite, eu sonhei que havia conhecido a família que ficou com o Timmy por um ano e meio, quando ele era um filhote. Eles eram uma espécie de máfia italiana, e o chefão tinha um filho que enxergava mas queria um cão guia do mesmo jeito, mas o tal cão precisaria ser treinado na itália porque ordens de verdade são dadas em italiano, segundo o pessoal do meu sonho. Pois é, to com uma imaginação fértil.

Vamos ver como vai ser a segunda semana. Espero não ter problema para dormir, por causa do horário de verão que entrou em vigor por aqui. Agora a diferença do Brasil para cá é apenas de uma hora para mais. E como meu horário de sono é todo zoado, me tomando um certo tempo para me acostumar, eu fico um pouco receoso com essa possibilidade, mas nada que umas sonecas em White Plains no meu tempo de espera não resolva.

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~ por lucasradaelli em 13 de março de 2011.

3 Respostas to “[A Saga do Cão Guia] – Capítulo 5”

  1. Ei, qual a idade do Timmy?

    • não sei ainda. Abordaremos a idade, peso e outras coisas em uma aula específica sobre isso…. mas acho que é por volta de 2 anos 🙂

  2. muito legal seu blog

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